Karajá

Os Karajá habitam o vale do rio Araguaia e a ilha de Bananal. Nesta ilha situa-se Santa Isabel do Morro, o principal aldeamento, formado por grupos que ali se estabeleceram muito antes de 1500. O restante da população espalha-se em mais de vinte comunidades que margeiam o rio Araguaia, nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará.
A permanência dos Karajá nesse território resulta de uma longa série de lutas – primeiro, contra os Xavante e outros grupos indígenas; depois, contra exploradores não- indígenas. Apesar de terem sido alvo de inúmeras frentes de colonização e catequese, os Karajá demonstram grande força de resistência ao preservar suas principais categorias sociais e tradições. Hoje, mesmo com o contato intenso com a sociedade brasileira, as aldeias registram um constante aumento da população, que atualmente soma cerca de 3760 pessoas.

As aldeias erguem-se preferencialmente perto dos lagos e afluentes dos rios Araguaia e Javaés. As casas são tradicionalmente alinhadas em paralelo com o rio, que constitui seu eixo de referência mitológica e social.

A família linguística Karajá pertence ao tronco Macro-Jê e se divide em três línguas — Karajá, Javaé e Xambioá —, o que reflete a divisão cultural original deste povo. Cada uma delas tem variantes de acordo com o sexo do falante; apesar das diferenças, todos se entendem. Em algumas aldeias, o português se tornou a língua dominante.

A cultura material Karajá envolve técnicas de construção de casas, tecelagem de algodão, arte plumária, artefatos de palha, madeira, concha, cabaça e casca de árvores e cerâmica. As bonecas de cerâmica têm despertado grande interesse dos turistas que visitam as aldeias, de modo especial nas temporadas das praias do rio Araguaia, e tornaram-se mais um meio de subsistência do grupo, que tradicionalmente vive de agricultura, caça e pesca.

Os banquinhos karajá possuem sempre o mesmo formato: assento plano, base dupla e pontas laterais com pequenos rostos, de onde se sobressaem olhos formados por incrustações de conchas. Têm ainda uma alça ou cordão para o transporte. A superfície é pintada com grafismos geométricos que se repetem na pintura corporal, nos trançados e na cerâmica. Os desenhos em geral representam partes de animais como o quati, a formiga, a cobra ou o peixe-faca.

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