Kuikuro

Os Kuikuro, habitantes do Alto Xingu, fazem parte do subsistema Karib, juntamente com outros grupos que falam variantes dialetais da mesma língua (Kalapalo, Matipu e Nahukuá) e participam do sistema multilíngue do Alto Xingu. Habitam três aldeias na porção sul do Parque Indígena do Xingu. A maior e principal aldeia era Ipatse, pouco distante da margem esquerda do médio Culuene, onde viviam mais de trezentas pessoas. Em 1997, surgiu Ahukugi, na margem direita do Culuene, rio acima de Ipatse, com cerca de cem pessoas. Em seguida, uma terceira aldeia formou-se a partir de um grupo familiar de uma dezena de pessoas, no local da antiga Lahatuá, abandonada em 1961. Hoje somam mais de 650 habitantes.

A organização espacial da aldeia centrada na praça reflete a organização política e ritual. Na praça se realizam as atividades cerimoniais, relacionadas sobretudo aos principais ritos de passagem que caracterizam a trajetória dos chefes. Um complexo sistema de “donos” e “chefes” regula a dinâmica política e a vida ritual, ou seja, a própria existência e reprodução da aldeia. Os chefes e suas famílias constituem uma espécie de estrato social “nobre” distinto dos ”comuns”.

As narrativas tradicionais dos Kuikuro contam por que o universo existe tal como ele é e explicam a origem de cantos, festas, bens culturais, plantas cultivadas, categorias de seres. Assim como muitos outros grupos ameríndios, os Kuikuro acreditam que, na origem, humanos e não humanos eram iguais, falavam a mesma língua e conviviam na mesma aldeia. Os humanos viviam também no meio dos itseke, seres sobrenaturais que povoam a floresta e o fundo das águas, com os quais apenas os xamãs têm o poder de se comunicar hoje (a doença e o sonho, porém, são estados que podem colocar em contato humanos em geral e itseke). Há também um mundo celeste, kahü, onde mortos e itseke habitam a mesma aldeia e cujo “dono” é o urubu bicéfalo, muitas vezes representado nos bancos zoomorfos.

A produção tradicional de artefatos, como bancos, esteiras, cestos e adornos plumários, serve para usos cotidianos e cerimoniais, para pagamento de serviços como a pajelança ou para selar uma aliança de casamento, bem como para as trocas ritualizadas no interior ou entre as aldeias, chamadas de ulukí. Os Kuikuro, como os outros grupos Karib, participam do sistema econômico e ritual alto-xinguano como especialistas na fabricação de colares e cintos de caramujo de terra, bens de alto valor.

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