Tapirapé

Os Tapirapé são um grupo indígena de língua tupi-guarani, originário do baixo curso dos rios Tocantins e Xingu, onde viviam até o século XVII. Chegaram ao médio curso do rio Araguaia por volta da segunda metade do século XVIII, estabelecendo-se ao norte do rio Tapirapé. Uma série de narrativas históricas e mitológicas assinalam sua presença secular nas matas da margem esquerda do rio Araguaia, em áreas hoje ocupadas pelos Karajá; o contato entre esses povos, bem como com os Kayapó, remonta a épocas anteriores ao século XVII, tendo sempre variado entre a convivência e o enfrentamento. Os Tapirapé somam hoje cerca de 760 habitantes. A aldeia é composta por casas dispostas em círculo ao redor da casa dos homens, a takara. Até a década de 1950 as casas eram habitadas por famílias extensas, isto é, um grupo de pessoas aparentadas, representando duas a três gerações. Atualmente, no entanto, a família nuclear (o casal e seus filhos) é o grupo doméstico mais comum. Outro princípio organizativo da sociedade Tapirapé são as wyra, ou “sociedades de pássaros” (as aves são um elemento central em sua complexa mitologia). Nessas sociedades, a população masculina da aldeia é divida em duas metades, que por sua vez se subdividem conforme a idade dos participantes: homens mais velhos, homens maduros e jovens. As wyra competem em atividades ligadas à caça, ao canto, à agricultura, à construção de casas etc.

As aldeias tapirapé situam-se tradicionalmente próximas às florestas, em terrenos altos e não inundáveis, onde seus habitantes mantêm suas roças, mas alguns grupos instalaram-se perto de campos abertos.

O artesanato é atualmente a mais importante atividade comercial dos Tapirapé, fornecendo-lhes meios para aquisição de artigos como objetos de metal, roupas, armas e munição para caça, sal etc. Entre as peças mais comuns estão bancos, remos, lanças, cuias decoradas, arte plumária, cestarias e a máscara tawa, “cara grande” — um enorme rosto composto por um mosaico de plumas coloridas e olhos de madrepérola.

Os banquinhos de madeira dos Tapirapé assemelham-se aos dos Karajá, refletindo assim a longa história de convivência e trocas culturais com o povo vizinho.

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